Por Fernando Brito
Vem-me por e-mail o
trabalho do Gustavo Santos, coletando as manchetes mundiais, hoje:
BBC: “Ex-presidente cubano morre.”
The Telegraph: “Ícone revolucionário cubano morre.”
The Independent: “Líder revolucionário cubano morre.”
Reuters: “Líder da Revolução Cubana morre.”
The Guardian: “Líder revolucionário cubano morre.”
Die Zeit: “Líder revolucionário cubano morre.”
Le Figaro: “Pai da Revolução cubana morre.”
Time Magazine: “Ex-presidente cubano morre.”
Deutsche Welle: ” Morre herói cubano.”
Separei e pus lá em cima a manchete do The New York Times ,
o nec plus ultra da turma de punhos de renda das redações.
Fidel Castro, líder cubano que desafiou os EUA, morre aos 90
E, do lado, o que os
meninos da Folhinha de S. Paulo conseguiram produzir, algo semelhante ao
comentário de um destes energúmenos de plantão que não consegue entender o
tamanho dos fatos na História.
Ou será que acham que os jornalistas do NYT são um bando de
castristas infiltrados na redação?
O contrário é mais provável:
gente que foi da esquerda e se passou para a direita, que não apenas se
exibe vaidosamente para os novos donos como também abana o rabo para espantar as moscas.
Pois Sartre, nelas, encarnou
as Erínias do grego Ésquilo, deusas do remorso e a culpa, que voejam sem parar
em torno do infeliz que os carrega, que se vê dando golpes no ar.
Não conseguem entender finitudes e perenidades.
Por isso, talvez não se deem conta de que, daqui a pouco,
quando o que escrevem estiver embrulhando – já que hoje não se embrulha
mais peixe com jornal – o produto dos
nossos melhores amigos que não devemos deixar na rua, Fidel Castro estará nos
livros de História.


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