Por Miguel do Rosário
Os leitores que acompanham meus textos sabem que, apesar dos
pesares, e contra a maioria de meus colegas blogueiros, eu confio nas pesquisas
de intenção de voto, e gosto de fazer análises de conjuntura com base nelas.
Eu sei que minha atitude é ingênua e temerária, mas o meu
gosto por estatísticas (mesmo as subjetivas) é mais forte do que eu gostaria.
Entretanto, não podemos deixar que o respeito pelas
pesquisas nos transformem em idiotas completos.
O caderno de política da Folha traz a seguinte manchete:
Daí o jornal nos apresenta graciosas caixinhas com o
“perfil” do eleitor de cada candidato (imagem no alto do post).
Ora, aí a estatística confunde mais do que esclarece.
Estamos falando de um eleitorado de mais de 140 milhões de eleitores. Dar a
entender que todo eleitor da Dilma é pobre, mora no Nordeste, vive em cidade
pequena, e só tem ensino fundamental é uma falácia monstruosa.
Em várias regiões do país, Dilma tem maioria em todas as
faixas de renda e em todos os níveis de escolaridade.
Eu mesmo sou um exemplo.
Tenho ensino superior, leio em várias línguas e, com a
generosa preferência dos meus assinantes, ganho por mês bem mais do que dois
salários mínimos. Ah, moro no Sudeste, numa cidade com mais de 8 milhões de
habitantes.
E sou um eleitor de Dilma. Votei nela em 2010 e votarei
nela, obviamente, em 2014, pois não quero deixar a direita (disfarçada ou não)
voltar ao poder.
A gente tem que tomar cuidado com essas generalizações
medíocres.
E isso sem falar nesse odioso “bacharelismo” de terceiro
mundo que ainda atazana a nossa cultura. Esse preconceito bobo que trata o
diploma como sinal de inteligência. Não é. O cidadão com diploma às vezes é
muito mais ignorante politicamente do que alguém que não fez faculdade.
Eu até me arriscaria a dizer que no Brasil, infelizmente, os
piores analfabetos políticos tem curso superior…



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