Por Fernando Brito
Estarrecedor – se é que algo
ainda estarrece neste país – a notícia da Folha anunciando que a Polícia Federal não quer mais a delação
premiada da Odebrecht, onde foi apreendido o famoso “listão” de políticos
beneficiados com propinas e doações pela maior empreiteira do país:
A Polícia Federal tem defendido
nos bastidores que não se faça mais nenhum acordo de delação premiada nas
investigações da Operação Lava Jato. Na avaliação de integrantes da PF no
Paraná, já foi recolhido material suficiente ao longo dos dois anos e sete
meses em que a operação está em curso para que apurações próprias sobre o
esquema de desvios na Petrobras sejam feitas, sem precisar de ajuda de
delatores.
Quem dizer que, da lista da
Odebrecht, com 316 nomes de políticos de
24 partidos – entre eles o de Michel Temer –
só interessava o “Italiano”, cujo personagem foi vestido no ex-ministro
Antonio Palocci, como lobista numa medida provisória na qual ele votou
contra na Câmara.
A Folha, com candura, diz que”em
conversas reservadas, pessoas ligadas a Odebrecht afirmam que a posição da PF
contra delação premiada teria relação com algum movimento do governo de Michel
Temer, já que integrantes da cúpula do PMDB, incluindo o presidente, são
mencionados no acordo com a empreiteira.”
A PF, porém, nega qualquer
diálogo ou influência do governo. Claro, assim como não passou a prisão que o
Ministro da Justiça, Alexandre Moraes, anunciar num ato de campanha eleitoral.
E o Doutor Janot e o Ministro
Teori Zavascki vão ficar quietinhos, com cara de paisagem,, enquanto a PF faz o
“abafa” conveniente a “Xandão” e a seu chefe?
Ou a delação da Odebrecht só
valeria se trouxesse fatos contra Lula e Dilma, que, aliás, não estão no
“listão”.
Já tivemos isso na “Lista de
Furnas”, que atingia Aécio e Eduardo Cunha.
Agora, na relação da Odebrecht,
estamos na iminência de der a lista do “enfurna”.
Ninguém vai falar em “obstrução à
Justiça”? Ninguém vai falar que querem “abafar” a Lava Jato.
Os rapazes de Curitiba vão dizer
que , agora, têm provas mas não têm convicção?
E o Dr. Moro vai apelar para a
“descognição sumária” da lista que, só agora, ele resolveu colocar sobre
sigilo?


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