Por Fernando Brito
Em 1991, só alguns
dias depois de tomar posse no Governo do Rio de Janeiro, Leonel Brizola
compareceu a uma assembléia do Sepe – o sindicato dos professores do Estado –
para discutir a pauta de reivindicações da categoria diante do caos financeiro
deixado por Moreira Franco, inclusive com uma cabulosa “confissão de dívida”
com as empreiteiras do Metrô.
Mal ele entrou na Concha Acústica da UERJ, o grupo mais
radical da militância sindical explodiu numa sonora vaia.
Brizola ouviu, sorriu, deu meia volta e foi embora.
Depois, explicou aos repórteres: o problema não eram as
divergências que surgissem do diálogo que, abertamente, estava disposto a
travar, numa atitude – salvo engano meu – inédita entre os governantes: ir a
uma assembléia de servidores tratar de suas reivindicações. O problema, dizia
ele, era o método: que vaiava antes de sequer ouvir, não queria nem ouvir, nem
falar, apenas debochar.
Era inevitável que a cena me viesse à cabeça hoje, com a
grosseria dos tucanos e de seus aliados ao vaiarem Dilma Rousseff em sua ida ao
Congresso para a abertura do ano legislativo.
Com a diferença que são parte de um poder da República.
Não querem ouvir, não querem falar, querem apenas debochar,
enquanto o país se debate em dificuldades terríveis.
As cenas são fartas em mostrar deputados amolecados, de
bonequinhos infláveis, num comportamento de fazer corar adolescentes.
É o “efeito Aécio” que se espalhou na política.


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