Dilma: a vingança de Vargas contra Carlos Lacerda
Por Rodrigo Vianna, na Revista Fórum
Se Dilma ganhar, essa eleição vai significar também a
vingança de Getúlio Vargas contra o
“lacerdismo”.
Sei que o tempo presente nos chama. Mas um pouco de História
vai bem. Na verdade, vou falar de um passado que é presente…
Vocês sabem que Carlos Lacerda (foto ao lado) foi o
governador do Rio (e jornalista, e dono de jornal) que fazia oposição violenta
contra Getúlio Vargas e o trabalhismo – isso tudo lá nos anos 1950 e 1960.
Chamado de “O Corvo” pelos getulistas, Lacerda era bancado
pelos EUA. E tinha apoio de uma classe média furiosa com os direitos
trabalhistas, com a criação da Petrobrás e com a entrada em cena da “ralé” (que
passava a definir eleições – votando em Vargas ou nos candidatos apoiados por
ele).
Qual era o discurso de Lacerda? Vargas seria um “corrupto”,
um “bandido comandando uma quadrilha”.
Isso lembra alguma coisa a vocês?
Em 1954, o cerco se apertou. A imprensa passou a falar em
“Mar de Lama” no governo. Vargas foi cercado no palácio. E num gesto dramático
(esse papo de que no Brasil não há conflitos, e de que tudo se resolve “na
boa”, é balela!) o presidente meteu uma bala no peito.
Ali, Vargas virou o jogo. O povão que começava a ser
influenciado pela campanha midiática anti-Vargas, ficou do lado do morto.
Não preciso dizer que “O Globo” e quase toda a imprensa
estavam ao lado de Lacerda contra Vargas. O povão queimou carros e gráfica da
família Marinho em 1954 – pra se vingar.
Pois bem, o conservadorismo brasileiro é tão pouco criativo
que nem disfarça.
Saltemos ao século XXI… Em 2006 (quando o PSDB imaginava que
Lula seria derrotado fragorosamente graças ao “Mensalão”), FHC lamentava “a
falta que faz um Carlos Lacerda para tocar fogo no palheiro” (leia aqui).
Na falta de um Lacerda de verdade, o PSDB terceirizou (eles
são bons nisso): surgiram dezenas de lacerdinhas nos jornais, rádios, TVs e na
revista da marginal. São blogueiros e jornalistas que fazem a agitação verbal
para o PSDB – reproduzindo o mesmo discurso que hoje escutamos nas ruas: “o PT
é uma quadrilha que precisa ser escorraçada”.
Na campanha de 2014, Aécio Neves surfa nessa onda. Aproveita
também os erros do PT e – sem programa que não seja arrocho e desemprego –
Aécio tenta ganhar a eleição no grito: “Fora, PT”, “abaixo a corrupção”.
No debate da Band, qual foi a grande “sacada’ de Aécio?
Dizer que o Brasil vive um “Mar de Lama”.
Hehe… É a mesma palavra de ordem dos que levaram Vargas ao
suicídio em 1954. A direita é a mesma.
Só que Dilma não vai meter bala no coração. Não. Dilma
disparou de volta, na testa de Aécio.
O rapaz mineiro (que fala em meritocracia, mas vive do que
herdou da família) ficou atônito quando Dilma falou nos casos de corrupção do
PSDB, e falou no episódio do aeroporto construído dentro da fazenda de um tio
de Aécio. Falou também dos casos de nepotismo (Aécio empregou meia dúzia de
parentes no governo de Minas).
O rapaz perdeu o rebolado.
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