Kennedy Alencar
Colunista do UOL
As eleições não estão ameaçadas porque o presidente Jair
Bolsonaro não tem as condições objetivas para dar um golpe de estado. Elas
seriam apoio interno da elite econômica e política, unanimidade nas Forças
Armadas, cenário internacional favorável, apoio de fatia significativa da
imprensa e um governo minimamente funcional.
Nenhuma dessas condições está presente na conjuntura
brasileira. A elite política e econômica lida com um governo que fabrica crises
em série, gerando instabilidades institucional e econômica péssimas para o
ambiente de negócios.
As Forças Armadas estão desgastadas com a associação a um
presidente que foi considerado mau militar pelo ditador e general Ernesto
Geisel. Não há na ativa respaldo para um golpe, apesar do discurso golpista
frequente de generais da reserva.
Na cena internacional, Bolsonaro é visto e tratado como um
pária. O Brasil perdeu relevância geopolítica e está isolado no cenário global.
A comunidade internacional, com exceção de um autocrata aqui e outro ali, não
tem apreço pelo presidente brasileiro e o vê como uma ameaça ao planeta devido
à política ambiental ecocida.
Apesar de ter
normalizado um fascista em 2018, a maioria da imprensa brasileira entende os
riscos de um segundo mandato de um candidato a ditador que vem destruindo
políticas públicas e enfraquecendo nossas instituições. Vivemos o pior momento
desde a redemocratização de 1985. A imprensa sabe disso, apesar de ainda ser
frequente a falsa simetria entre Bolsonaro e o ex-presidente Lula, que polarizam
a disputa presidencial.
Por último, não existe uma obra governamental de Bolsonaro
que possa ser vendida como exitosa, nem uma política pública. A gestão
desastrosa da pandemia é a marca do atual Poder Executivo. O ministro da
Economia, Paulo Guedes, é figura desrespeitada no Congresso e no mercado
financeiro. A economia como um todo está em frangalhos, com inflação e
desemprego nas alturas.
Bolsonaro gostaria de empastelar as eleições? Sim.
Sonha em dar um golpe? Sim.
No entanto, para o bem do Brasil, não há condições objetivas que permitam ao genocida querer se eternizar no poder. Bolsonaro não passará


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