Em plena campanha pelo impeachment de Collor insurgi-me
contra abusos e mentiras da mídia.
Não tinha nenhum motivo para defender Collor. Fui atacado
diversas vezes por ele, respondi a vários processos de pessoas próximas ao seu
governo e, conseguiram tirar meu programa do ar da TV Nacional e TV Educativa –
que retransmitiam o programa. Finalmente, tiraram da própria TV Gazeta. Além
disso, havia feito várias acusações – fundamentadas – de fatos muito mais graves
do que os factoides gerados pela campanha.
No livro de Cláudio Humberto, ele narra a surpresa de Collor
quando leu uma coluna minha desmontando uma das acusações. Confirmou que eu era
um dos jornalistas que ele mais detestava, daí sua surpresa.
Ora, não estava defendendo nem Collor nem seu grupo. A
defesa era do jornalismo. Ao subordinar a cobertura a um objetivo político,
adulterando fatos e interpretações, avacalhava-se a profissão e comprometia-se
a imagem da categoria como um todo.
Relembro esse episódio para analisar o papel de Ministros do
STF (Supremo Tribunal Federal) no primeiro julgamento da AP 470.
Há dois ângulos em sua atuação.


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