Por Fernando Brito
A anunciada coletiva da
– o nome já diz tudo – força tarefa da Lava Jato para anunciar, ou prometer
anunciar, uma denúncia criminal contra Lula era o passo óbvio do processo de
luta política que se desenvolve sob a capa judicial.
Lula, ao que tudo
indica, será denunciado por não ter recebido um apartamento no Guarujá, agora
que o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, foi devidamente enquadrado e avisado
que, sem Lula e os petistas, não haverá “colher de chá” em sua delação ou nem
mesmo acordo de delação.
O roteiro é tão
simplória que seria recusado até numa minissérie: o empresário não fala o que
os promotores querem ouvir, seu depoimento vaza, a delação (que vale não ir
para a cadeia por anos a fio) é suspensa e, agora, candidamente, o delator vai
dizer o que se quer dele ouvir.
Os promotores,
docemente constrangidos, dizem ao juiz que não poderia haver novo depoimento,
mas, em benefício do direito de defesa – como todos sabem, prezadíssimo em
Curitiba – concordam que o faça.
É preciso “preparar a
cama” para seu troféu: a prisão de Lula.
E para lançar o país
numa situação de conflagração que não se tem ideia de onde vai parar.


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