Por Fernando Brito
No princípio, achei que era apenas uma “tirada”, como tantas
as que fazia Leonel Brizola:
“A política ama a traição mas, com o tempo, abomina o
traidor”.
Hoje, é provável que seja
cassado Eduardo Cunha.
O homem que colocou Dilma Rousseff abaixo e Michel Temer
acima.
O PSDB tira de Temer aquele que poderia ser sua “base” na
Câmara, para as reformas.
Mas poderia ser, também, alguém a dividir o poder e bloquear
a hegemonia tucana.
Não é apenas com o risco de delação premiada que a cassação
de Eduardo Cunha representa uma ameaça para Michel Temer.
Mesmo que obscuras articulações levem Cunha a manter o “bico
calado” o bico aberto dos tucanos – apoiado pela pesada artilharia da mídia,
que o espreme a fazer logo aquilo que
dele se espera e que tem sido repetido aqui: a degola dos direitos sociais e
trabalhistas da população.
Como Cunha foi espremido – e
mantido no cargo pelo Supremo – até que desfechasse a “Operação
Impeachment”, depois da qual perdeu toda a importância que tinha para a
conspiração.
De resto, consumada a cassação de Cunha vai restar a curiosidade apenas por um livro, que
não é o que ele anunciou hoje à Folha.
É o seu livro-caixa.

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