Luis Nassif
Na Internet, o jornalão envia repórteres para identificar
falhas em todos os estádios. A manchete principal foi mais ou menos assim:
“Estádio de Fortaleza tem vigas à mostra”. Foi a única coisa que teve para
dizer. A construção do estádio, a arquitetura, a valorização do entorno, tudo
foi varrido para baixo do tapete do negativismo.
Na página de cobertura da Copa desse mesmo portal, as
últimas notícias são assim: “Governo reconhece que metade dos estádios na Copa
terá internet lenta”, “CNN faz alerta para prostituição infantil em Fortaleza”,
“Governo paga viagem e gringos sofrem tentativa de assalto no Rio”.
Os “Brasinhas” – tira que se popularizou nas redes sociais –
não resistiu ao prato saboroso. O amiguinho de azul encontra outro amiguinho
com bandeira dos EUA e comemora: “Ser chique, hoje, é torcer contra o Brasil”.
O amiguinho pondera: “Mas... e se ele ganhar”. Ganha um catiripapo na orelha:
“Deixa de pensar negativo”.
***
Ontem, quando o ex-atleta e comentarista esportivo da ESPN
norte-americana, Alexis Lalas, desembarcou no Galeão, foi cercado por
repórteres ávidos por más notícias. Para decepção geral, ele se declarou
encantado com a estrutura encontrada.
Em sua página no Twitter elogiou a rapidez e a sinalização
do aeroporto e declarou que em nenhum aeroporto dos EUA o desembaraço da
bagagem foi tão rápido. Ironizou o fato
de ter desembarcado no Rio e não ter nenhum “órgão” roubado. E, depois de um
passeio em Copacabana, elogiou a “gente bonita, o clima bom e a segurança
visível”.
***
Há dois anos, a cobertura sistemática da Copa não reservou
um espaço sequer para o feito nacional, com seus inúmeros atores, para preparar
o país para a maior Copa da história. Divulgaram apenas a exceção, os problemas
usuais em preparativos dessa ordem, e transformaram em regra.
Não conseguiram apenas comprometer o maior momento de
marketing da história do país, espalhar a má imagem do país por todo o mundo:
desprezaram um imenso esforço conjunto
juntando governo federal, governos estaduais de todos os partidos, prefeitos de
capitais, Polícia Federal, Ministério Público, secretários de transporte, de
segurança, técnicos em mobilidade urbana, especialistas em turismo, bancos públicos, empresas de engenharia,
fundos de investimento.
***
Em São Paulo, os esforços juntaram governo federal, estadual
e municipal. Esse mesmo trabalho foi feito em Belo Horizonte, Rio de Janeiro,
Fortaleza.
Ao jogar para baixo o moral nacional, com a única intenção
de atuar politicamente, os grupos de mídia demonstraram que seus interesses
particulares estão acima do próprio interesse nacional e até de seus
anunciantes.
Em nenhum momento participaram de nenhuma etapa de
construção desse evento. Mas se tornaram os maiores beneficiários, recebendo um
volume recorde de verbas de patrocínio.
***
Julgaram que estavam cravando a bala de prata na testa de
Dilma, atribuindo a ela todos os problemas, independentemente de serem da
alçada do governo federal, estadual ou municipal, de clubes esportivos. Mas
acertaram a bala no centro da autoestima nacional.
Mas ontem, enquanto Neymar encantava o mundo com seus
passes, São Paulo parecia viver um feriado: ruas desertas para que os
paulistanos esquecessem as manchetes e celebrassem o país e a Seleção. Como se
dissessem, “vocês não vão matar a alegria”. AQUI


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