Por Fernando Brito
A foto acima, de maio de 2015, na entrega do pedido de
impeachment a Eduardo Cunha reunia a fina flor dos moralistas que o cassaram ontem.
Não se diga que eram inocentes, pois as contas de Cunha na
Suíça já tinham sido bloqueadas.
Eram “todos Cunha”.
E e Cunha deu-lhes o prometido, 11 meses depois, numa
circense sessão da Câmara dos Deputados, onde lhe choviam elogios, embora o
soubessem tão ladrão como sabem hoje.
Aliás, o STF, que o afastaria do comando da Câmara e do
mandato – algo essencial para erodir sua influência – também o sabia tão vilão
quanto o sabe agora, quando vai enviá-lo a Moro, sob as fanfarras da Globo.
Esta é uma história de hipocrisia nacional que ficará daqui
a 50 anos, na conta das coisas inacreditáveis, mas ainda assim reais.
Mesmo a tal “delação premiada” de Cunha, ao que parece,
ficará mais dependente de quererem ouvir do que de ele querer falar.
Depende de até onde vá o apetite de poder das parcelas do
Judiciário que nutrem a pretensão de
serem os “déspotas esclarecidos” que deveriam tutelar a Nação.
Ontem, embora com o sinal trocado, porque Cunha é a antítese
de qualquer visão sadia que se possa ter da política, o que se filtra do
episódio, após o desfecho do Fora Cunha que este país gritou, é que a política
não é apenas um lugar para canalhas, mas para canalhas que manipulam as suas
artes sob um único comando: o da mídia.
Foi ela que deixou apenas 10 votos a Cunha.
É a ela que teme o presidente sem votos.
Os personagens da foto, exceto o que lhe está no centro da
imagem, estão anistiados de terem sido “todos Cunha”.
Talvez, como ocorreu com ele depois de cumprida a serventia
de desestabilizar o governo Dilma e abrir o processo de impeachment, outros
pudessem ver que realizar a degola social e trabalhista é papel igual ao que
teve o agora desgraçado “ex-todo-poderoso”.
Cumpra, como fez Cunha com o impeachment, e estará a um
passo da morte.
A direita brasileira é uma “viúva negra”. Os seus machos de
ocasião, são todos minúsculos e devoráveis, cumprido seu papel.

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