Por Fernando Brito
O twitter do jornalista Pedro Doria, colunista de O Globo,
dizendo que já se negocia uma “delação premiada” para um ou mais dos “hackers
de Araraquara”, é um retrato do absurdo que tomou conta da investigação
criminal no Brasil.
O caso mal começou e já tem acordo para apontar mandantes?
Dá para adivinhar quem querem que seja?
A polícia fala em mil números de telefones celulares
invadidos. Duvido que tenham sido identificados, já.
Não foi estabelecido o que pretenderiam – a ser isso verdade
– devassando a intimidade de tanta gente. Chantagem, extorsão? As pessoas foram
indagadas sobre isso? Os depósitos nas contas, se são fato, foram feitos por
quem? Sim, porque os bancos registram estas transferências nominalmente. Ou
foram de “envelope”, feito as de Flávio Bolsonaro e Fabricio Queiroz?
Hackearam Moro? Como, se Moro diz que apagou o seu Telegram
em 2017, quando o suposto delator estava preso?
Como é que se negocia uma delação sem ter indícios de que
há, de fato, uma organização criminosa estruturada a ponto de quebrar o sigilo
de mil, ou quase mil pessoas?
Mais um pouco coloca-se camisetas nos tais hackers, como
naquele caso do Abílio Diniz.

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