Por Fernando Brito
Em dezembro de 1968, ao participar da reunião que em que
Costa e Silva decidiu pela implantação do AI-5 e, com ele, a suspensão dos
míseros direitos individuais que restavam após o golpe de 1964, o coronel
Jarbas Passarinho, pronunciou seu famoso “Às favas, senhor presidente, neste
momento, todos os escrúpulos de consciência” e acompanhou a violência que se
praticava ali.
Antonio Anastasia, ao ler seu relatório pela cassação de
Dilma, sequer a sinceridade do desabafo de Passarinho tem.
Se não manda às favas seus escrúpulos de consciência ao
condenar uma governante eleita e uma mulher honesta, por crimes que,
simplesmente, não existiram – e peritos e MP o afirmam -, mas apenas porque
isso é parte do golpe político, mostra que, se escrúpulos não tem para lançar
fora, queira o destino tenha uma consciência na qual lhe ardam a culpa e o
remorso de sua vilania.
Senador, o tempo, que anistia os pecadilhos de qualquer
existência humana, é impiedoso com o grande pecado dos liberticidas e dos
golpistas.

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